Redação Imobanco
Duplicatas escriturais: o que muda com o novo modelo?

As empresas que realizam vendas a prazo terão mudanças importantes na forma de registrar e negociar seus recebíveis. Com a implantação das duplicatas escriturais, o mercado passa a contar com um sistema eletrônico para registrar esses títulos, acompanhar sua titularidade e ampliar as possibilidades de negociação.
Regulamentado pelo Banco Central do Brasil (BCB), o novo modelo busca trazer mais segurança e transparência às operações, além de contribuir para o desenvolvimento do mercado de crédito empresarial.
Mas o que muda na prática? Como funciona a duplicata escritural e quando as empresas precisam se adaptar? Entenda os principais pontos.
O que são duplicatas escriturais?
A duplicata é um título de crédito que representa o direito de receber um pagamento futuro, originado de uma venda de mercadoria ou de uma prestação de serviços a prazo.
A duplicata escritural é a versão eletrônica desse título, emitida e registrada em sistemas autorizados pelo Banco Central. Sua criação foi prevista pela Lei nº 13.775/2018.
Diferentemente do modelo baseado em documentos físicos, a escrituração eletrônica permite acompanhar informações sobre o título, sua titularidade e as negociações realizadas.
É importante não confundir duplicata com boleto bancário: enquanto a duplicata representa um direito de crédito, o boleto é um instrumento de pagamento.
Como funciona o novo modelo de duplicatas
A principal mudança está na digitalização e na padronização do registro e da negociação dos recebíveis comerciais.
Entre os benefícios esperados estão:
Mais segurança: maior controle sobre a titularidade dos créditos e redução do risco de fraudes e duplicidades.
Rastreabilidade: acompanhamento das operações registradas eletronicamente.
Mais transparência: informações estruturadas sobre os recebíveis e suas negociações.
Novas possibilidades de crédito: empresas podem negociar suas duplicatas com diferentes financiadores, conforme as condições de cada operação.
Principais mudanças e benefícios para as empresas
Quando uma empresa vende um produto ou presta um serviço a prazo, a operação pode dar origem a uma duplicata escritural vinculada às informações fiscais correspondentes.
O título é registrado em um sistema autorizado, permitindo acompanhar sua situação e eventuais negociações. A empresa pode, por exemplo, buscar uma instituição financeira interessada em antecipar o recebimento daquele valor.
Esse processo pode ampliar as alternativas de financiamento e facilitar a gestão dos recebíveis. No entanto, a escrituração não garante aprovação de crédito nem taxas menores: as condições dependem da análise de cada operação.
Cronograma de implantação das duplicatas escriturais
A implantação acontece de forma gradual, com etapas previstas entre 2026 e 2028. O cronograma divulgado pelo Banco Central contempla a entrada em operação dos sistemas e a adoção do modelo por empresas de diferentes portes.

Fonte: Banco Central do Brasil (BCB). Linha do tempo para implantação das duplicatas escriturais.
A Produção Assistida, iniciada em julho de 2026, permite que empresas e financiadores realizem operações em ambiente real durante a transição. Nessa fase, a adesão dos sacadores ocorre de forma voluntária e gradual, e o modelo físico continua coexistindo com o escritural.
As datas são previsões do cronograma divulgado e devem ser acompanhadas conforme eventuais atualizações regulatórias. Para entender as condições aplicáveis a cada operação, consulte as orientações oficiais do Banco Central.
Como preparar sua empresa para a mudança?
Mesmo com a implantação gradual, é importante começar a avaliar os processos financeiros e operacionais.
Algumas medidas ajudam nessa preparação:
Revise o controle de recebíveis: verifique como as vendas a prazo e os valores a receber são registrados.
Organize as informações fiscais: confira a consistência dos documentos e dos dados das operações comerciais.
Avalie seus sistemas: identifique possíveis necessidades de integração entre o ERP e as ferramentas financeiras.
Acompanhe as atualizações: consulte o Banco Central e as entidades participantes para verificar as regras e os prazos aplicáveis.
A preparação antecipada ajuda a identificar ajustes necessários e a reduzir impactos na rotina financeira durante a transição.
Perguntas frequentes sobre duplicatas escriturais
A duplicata em papel deixará de existir?
A duplicata física continua válida. Entretanto, a regulamentação prevê o uso obrigatório de duplicatas escriturais em determinadas operações de crédito com instituições financeiras, conforme o cronograma de implementação.
É possível antecipar duplicatas escriturais?
Sim. A empresa pode negociar seus recebíveis com instituições financeiras e outros financiadores para buscar antecipar os recursos. A contratação depende das condições e da análise da operação.
O novo modelo garante crédito mais barato?
Não. A maior transparência e a possibilidade de ampliar a concorrência podem favorecer melhores condições, mas não existe garantia de aprovação ou redução de custos.
Prepare sua empresa para as transformações do mercado financeiro
O novo modelo de duplicatas escriturais representa um avanço na digitalização dos recebíveis comerciais e pode ampliar as possibilidades de financiamento para empresas brasileiras.
Compreender o cronograma, organizar os processos financeiros e acompanhar as mudanças regulatórias são passos importantes para atravessar essa transição com mais planejamento.
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Texto: Redação Imobanco




